Para que todos um dia sejam PRIME.


 

Pura ignorância daqueles que pensam que sentados no banco da rede bancária que mais lucra anualmente no Brasil, após aquele 31 de outubro em que foram às urnas decidirem com 54,5% dos votos que caberia a senhora Dilma o papel de mudar o Brasil, é se auto ludibriar  pensar que a mudança venha dessa forma parado, calado e resmungando.

Eu estava lá em uma fila infernal gigantesca de aproximadamente umas trinta pessoas, e mesmo com uma lei municipal que diz que o “cidadão” só pode permanecer no máximo quinze minutos em uma fila à espera da prestação de serviço bancária, fiquei eu ali por volta de 45 minutos esperando e analisando o que se passava em minha volta. Me chamou a atenção como que os símbolos que me cercavam naquele momento ajudavam a disseminar a idéia de sociedade de classes, tinha uma placa próximo a sala da gerência em que estava escrito atendimento preferencial, cliente “PRIME”. Ora! Na minha cabeça revolucionária e pensando pelo bom senso ali deveria ser o atendimento para gestantes, idosos, lactantes e pessoas com crianças de colo, mas vizinha a fila que eu me encontrava tinha outra fila que me negava o pensamento anterior, uma fila com uns dez a doze clientes da rede bancária que mais lucra anualmente no Brasil. Os clientes que deveriam ser atendidos imediatamente, esperavam o tempo que eu aos meus 21 anos deveria esperar, por lei, quinze minutos.

O que aconteceria se eu inesperadamente por todos que estavam ali começasse a gritar recitando a frase de uma música de Irmandade Brasmorra que estava pulsando em meu cérebro a todo instante? Poderia eu elevar meu punho e gritar: “povo ignorante nunca faz revolução… é isso que eles querem”. Poderia muito bem gritar tal frase para aquele rapaz que ficava contando dinheiro atrás dos caixas e pedindo rapidez no atendimento. Não adiantaria.

Falta a subjetividade para esse povo se movimentar e promover a mudança. Os trabalhadores que estavam ali no caixa da rede bancária que mais lucra no Brasil, apesar de estarem sempre com um sorriso no canto da boca, também são explorados (menos que os da fila em que eu estava é claro!) e são trabalhadores assalariados que ganham abaixo do salários previsto pelo  DIEESE – Departamento Intersindical de Estatísiticas e Estudos, que é de 2100 reais.

Contudo, me chamou a atenção um bebedouro próximo a uma pilastra que ficava no centro da agência onde a todo momento as pessoas bebiam um copo d’água e retornavam para o seu lugar na fila, por não gostar de ser inconveniente deixei pra beber o meu copo d’água depois dos 45 minutos de espera para ser atendido. Finalmente fui atendido e estava me despedindo daquele espaço quando me dirigir ao bebedouro bonito com uma capa branca e bordado o nome “Bradesco”, peguei o meu copo e enchi de água e comecei a beber quando sentir um forte gosto de cloro, pra ser bem sincero nunca senti tanta vontade de destruir um bebedouro nem mesmo os que bebo água na universidade que estudo. Quer dizer, a rede bancária que mais lucra anualmente em todo o Brasil além de não cumprir leis serve uma água aos seus clientes, que não são “PRIMEs”, de torneira que se confunde com cloro.

Eu, enquanto um jovem revolucionário, estudante e de perspectivas comunistas para o futuro deste povo engoli minha água, e já devo com certeza ter excretado por aí, saí daquela rede bancária pensando em uma das frases mais clichê que ronda os pensamentos daqueles que analisam o mundo hoje: “O que está acontecendo com o mundo, o que estamos deixando para os nossos filhos e netos?”. Cheguei a conclusão de que acumulo em mim e passo adiante às gerações que virão indignação e ódio a esse sistema capitalista que segrega e destrói e deixarei também enquanto professor pouco a pouco  a subjetividade que falta para esse povo construir a revolução e transformar esta sociedade naquela em que todos os seres humanos serão PRIMEs, a sociedade comunista.

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